Votei no Mandiocão e na Solange, e não me ofendi com o Marcos Abrahão

Inaugurei minha cidadania com o meu primeiro voto, em 1994, quando votei no Fernando Henrique Cardoso para presidente. Para prefeito, votei em Aires Abdalla em 2000, em Mandiocão em 2004 e 2008, enquanto que, em 2012, minha intenção de voto público foi a Solange Pereira de Almeida. Para 2016, ainda estou analisando o ambiente político e o feedback dos candidatos, tanto para prefeito, quanto para vereador.

No exercício da sinceridade, o candidato Marcos Abrahão perdeu o filtro quando fez o comentário de que “quem se mistura com porco, farelo come”. O que me assustou não foi o fato do candidato ter dito a frase supramencionada no contexto do seu discurso na semana retrasada, mas ter visto muita gente se doendo em função do comentário, cuja radiação foi propagada pelos grupos políticos, mantendo-se até hoje, propositalmente. Aliás, várias pessoas já me pararam na rua e me disseram que não votariam no candidato por causa do comentário. Ai, eu provoco ainda mais o questionamento pessoal, e pergunto se esse simples comentário tornaria o candidato menor que suas propostas de governo, enquanto que as pessoas me respondem que não, repensando a programação que elas foram induzidas.

Sinceramente, colocando o sensacionalismo de lado, os dizeres do candidato não me ofenderam em qualquer segundo, enquanto que nunca pensei na hipótese de me avaliar como suíno ou qualquer outra coisa parecida, considerando o fato de que fui eleitor do Mandiocão e da Solange Pereira de Almeida no passado.  E vou explicar de forma muito rápida e simples o meu raciocínio: – Votei nos dois candidatos. Participei da campanha política da Solange em 2012. Mas, não quebrei as condutas daquilo que acredito que é certo dentro da ética. Também, não exerci função comissionada em nenhum dos dois governos. Todavia, trabalhei como contratado no Município de Rio Bonito em 1998, por 11 meses, quando pedi demissão e fiquei trabalhando em casa, dando aulas particulares de administração de empresa, história, sociologia e filosofia, aguardando o concurso do Tribunal de Justiça me convocar, o que aconteceu em setembro de 1999. Fiz questão de me libertar do sistema na primeira oportunidade que tive, cuja única opção era através dos estudos e da investidura nos concursos públicos, porque não nasci em família rica.

Realmente, eu esperava que as pessoas que exerceram ou ainda exercem funções comissionadas nos últimos 24 anos, incluindo os diretores das escolas, fossem se ofender automaticamente, tendo em vista que, nestes casos, não tem como negar o vínculo ao sistema. Não falarei dos contratados, porque as pessoas precisam sobreviver, principalmente, numa cidade que se esqueceu da capacitação da juventude e da geração de renda, cujos governos jogaram a responsabilidade em cima dos comerciantes e dos industriais, que estão sobrecarregados com os impostos, encargos trabalhistas e tributos.

A opinião pública precisa parar de se levar na emoção, e pensar com a razão. Os políticos estão se doendo com o comentário do Marcos Abrahão, porque, da forma dele, ele colocou o dedo na ferida. Agora, não vejo sentido algum no cidadão de bem, que nunca foi vereador ou exerceu função comissionada dentro dos governos nos últimos 24 anos,  sentir as dores de um sistema incompetente, que visa a manutenção dos cargos comissionados e dos exércitos políticos, deixando a saúde, a educação, a segurança, a cultura e a maioria das pastas abandonadas, cujas competições pelo poder se ramificam dentro no Hospital Regional Darcy Vargas e nos clubes esportivos.

Por fim, acho que a política riobonitense chegou ao fundo do poço, enquanto que os candidatos estão lutando no vale-tudo pelo voto, passando por cima da ética, deixando de apresentar as propostas e as soluções aos temas pertinentes para nossa cidade, falando em renovação, com as mesmas pessoas, que, na minha opinião, são responsáveis pelos problemas no último um quarto de século.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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