Escândalo do Concurso Público pode comprometer o mandato de Reis e mudar a composição da Câmara Municipal

Nada melhor do que uma crise para acobertar a outra, para não dizer um escândalo. E foi, justamente, seguindo o raciocínio do marketing, que a Prefeitura Municipal de Rio Bonito designou o dia 09/12/2016 para o encerramento do transporte universitário rio-bonitense, publicando na página oficial do Município de Rio Bonito, desejando sorte e sucesso aos universitários. Dessa forma, os canais da imprensa local e os principais veículos da comunicação social acabaram seguindo a lógica da notícia, deixando o escândalo do polêmico concurso público municipal em segundo plano, para cair no esquecimento, encerrando-se, assim, o assunto perante a opinião pública, cujos participantes se demonstram mais preocupados com o ressarcimento da inscrição do que com a conclusão da investigação, tendo em vista o cancelamento do concurso por parte da prefeita, Solange Pereira de Almeida. Todavia, o Café Poético e Filosófico não se esqueceu, trazendo os detalhes dos bastidores da política e do próprio concurso cancelado, uma vez que seus efeitos, caso comprovada a fraude e o tráfico de influência, acabarão no desmembramento nos mandados de segurança para os concursados prejudicados, nas ações criminais e nas improbidades aos envolvidos e àqueles que exerceram função pública no erário municipal no período em questão, e, por fim, a ação eleitoral, que poderá tornar o atual presidente da Câmara Municipal, o Vereador Reginaldo Ferreira Dutra, conhecido como Reis, do PMDB, inelegível, tendo em vista que as evidências o colocam no centro de toda trama, enquanto que o concurso foi realizado dentro do período eleitoral.

A Solange Pereira de Almeida não era candidata, logo, não havia qualquer impedimento para a realização do concurso público. Entretanto, o Reis foi candidato à reeleição no Poder Legislativo, obtendo mais de 2000 votos nesta eleição.  Logo, diante dos nomes e do grau público da proximidade entre os envolvidos, a lógica processual indica que há grande possibilidade da mudança na atual composição da Câmara Municipal de Rio Bonito, uma vez que materializado o contexto probatório, incluindo sua condução na jurisdição eleitoral, que está muito célere, os 2000 votos do atual presidente da Câmara Municipal seriam anulados, alterando a legenda e o nome dos titulares das cadeiras. Pelo menos essa é tese dos partidos políticos e dos possíveis sucessores, que já estão acompanhando as ações e fazendo pressão.

Por fim, vamos acompanhar o andamento e a publicidade das investigações, cuja lógica indica que ocorrerão vários desmembramentos, mas, que também, poderá terminar no arquivamento, mantendo as coisas e as pessoas nos seus respectivos lugares e posições. Em tempo, é importante atentarmos para o fato de que o atual presidente da Câmara Municipal de Rio Bonito está no exercício do cargo desde 2013, trabalhando nos bastidores para se perpetuar no cargo por mais 02 (dois) anos, no mínimo, vislumbrando o controle total e absoluto dos duodécimo constitucional, que corresponde ao valor médio mensal de R$500.000,00 em 2016, enquanto que a folha de pagamento e os encargos da Casa Legislativa  Municipal totalizam, aproximadamente R$223.000,00, sobrando o quantum médio de R$277.000,00, que não foram devolvidos ao erário público ao longo dos meses, que poderiam ajudar o Hospital Regional Darcy Vargas, a UPA e o Transporte Universitário, por exemplo.

 

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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