A Morte do Homem de Ferro e o paradoxo com a realidade

Ao assistir o filme Vingadores Ultimato no cinema, me deparei com o fato de que a humanidade ainda não está preparada para lidar com a morte dos entes queridos e muito menos com a dos super-heróis. Testemunhei duas gerações chorando ou segurando as lágrimas com muita força diante daquilo que lhes parecia impossível, que era a morte do homem de ferro, que trazia para si a difícil tarefa de retirar as joias do infinito da manopla do Thanos e encaixá-las automaticamente em sua armadura, salvando todas as vidas conscientes deste universo, estalando os dedos, e se reafirmando perante o público, com a mesma frase que revelou sua identidade secreta perante os holofotes e à imprensa: – Eu sou o homem de ferro. E assim, da mesma forma que nasceu o personagem, ele se desfez como humano e herói, transformando-se numa espécie de messias universal, uma vez que salvou toda a criação.

O Luke Skywalker de Guerra nas Estrelas e o Kal-El, o super-homem da DC Comics, foram os messias da minha geração e da geração dos meus pais. Ambos tiveram que fazer escolhas e se sacrificaram em nome do bem maior, da ética, da justiça e do equilíbrio. Todavia, é importante analisarmos os personagens, uma vez que Luke Skywalker e Kal-El estavam em busca da conduta correta e da “perfeição,” enquanto que o Tony Stark (Homem de Ferro) era um bilionário, filantropo, gênio, egocêntrico, egoísta, mulherengo e extremamente vaidoso. Enquanto o super-herói segue o modelo do Luke Skywalker e do Kal-El, o Tony Stark (Homem de Ferro) fez questão de construir seu legado em cima da sua vaidade, cultivando, inclusive, a maioria dos pecados capitais, como todo empresário predador, trazendo a metodologia e o raciocínio do mundo dos negócios para o universo da Marvel Comics, tentando compensar suas culpas em alguns momentos ou as ignorando, como que se nunca tivessem existido.

Todos os super-heróis entraram no roteiro para cumprirem seus respectivos destinos, porque, na maioria das vezes, não lhes eram optativos. Todavia, o Tony Stark poderia ter abandonado a armadura do Homem de Ferro desde o início, mas sua vaidade e a visão de ver a necessidade de que a humanidade precisava de um mecanismo de defesa global para combater os terroristas e os invasores alienígenas, o impulsionaram a criar uma linha de montagem de armaduras e de inteligência artificial, que alteraram todo o universo dos quadrinhos.

Com a exceção do Doutor Estranho, mais ninguém sabia até o momento da luta com o Thanos, que a armadura do Homem de Ferro poderia capturar e ajustar as joias do infinito de forma automática, como uma simples transferência de dados entre celulares, desde que estivessem bem próximos. O que deixa bem claro que o Tony Stark já estava preparado para fazer o sacrífico final, se assim fosse necessário. Todavia, considerando o histórico do personagem, ele não fez isso para salvar os seres vivos do universo, mas para resgatar sua dignidade, que estava perdida no último combate com Thanos. No final, o Homem de Ferro se tornou o primeiro messias, que cumpriu o seu destino na construção de um ser humano melhor, imortalizando sua vaidade e genialidade, utilizando a ciência como o caminho, sem deixar discípulos ou apóstolos, mas a obrigação de que a Terra precisa de proteção contínua.

Todos os seres humanos são como o Tony Stark. Entretanto, cabe-lhes decidir se ficarão na mediocridade ou se dedicarão à busca pelo aperfeiçoamento contínuo, mesmo que seja pela vaidade pessoal ou fundamentado na caridade e no altruísmo.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

Related posts

Leave a Comment