Mandiocão se mantém invicto, destruindo seus vices

José Luiz Alves Antunes, popularmente conhecido pelos riobonitenses como Mandiocão, está no exercício do seu quarto mandato como prefeito do Município de Rio Bonito, fazendo a reprise de si, sem colocar ou retirar um único parafuso da sua gestão ou vírgula do seu conteúdo e vocabulário, mantendo-se no mesmo padrão com o tratamento com seus vice-prefeitos.

No seu primeiro mandato de 1993/1996, Mandiocão teve Zadinho como vice-prefeito, que foi colocado de lado no primeiro ano do governo, justamente por querer fazer as coisas da forma certa, focalizando o equilíbrio nas contas públicas e a garantia da prestação dos serviços públicos de qualidade. Neste período, Mandiocão teve sua gestão marcada pela pintura dos meios-fios das ruas da cidade, a pintura plástica das praças Fonseca Portela e da Bandeira, a pavimentação parcial do Parque Andréa e a instalação do asfalto na estrada que liga o centro de Boa Esperança à localidade de Nova Cidade. Mesmo assim, a população só se lembra do prefeito das festas, que eram realizadas continuamente naquela época em Rio Bonito, que começavam com o carnaval de rua e terminavam na semana do aniversário de emancipação da cidade em 07 de maio. Isso, quando não realizavam os saudosos eventos na estrutura do Rancho Zegno e no Parque de Exposições, localizados no 2º distrito de Boa Esperança. Foi nessa época áurea que o prefeito conquistou sua fama de festeiro, quando Rio Bonito ainda tinha uma forte cooperativa de leite e a indústria da mariola, plantava o limão e a laranja para vender no CEASA, e as pessoas ainda sentiam orgulho em trabalhar no campo.

No seu segundo mandato de 2005/2008, Mandiocão se aliou ao Aires Abdalla para concentrar o universo eleitoral e controlar a concorrência na hora do voto. Naquela eleição, Aires Abdalla foi o diferencial no campo de batalha, garantindo a vitória da chapa. Todavia, seguindo a mesma tendência do Zadinho, Aires Abdalla começou o mandato com a “autonomia” na pasta da saúde e do secretário, perdendo-a antes mesmo do término do primeiro ano, se tornando um enfeite na gestão do Mandiocão.  Em retaliação, o Aires Abdalla se uniu à oposição na eleição de 2008, formando o quarteto fantástico com Reis para prefeito, Solange Pereira de Almeida, como vice, contando, também, com a presença do Dr. Anselmo Ximenes na fotografia da campanha. O fato é que o Mandiocão ganhou e de lavada, uma vez que estava com a máquina na mão de um lado, enquanto o universo eleitoral do Aires Abdalla não se misturava com o da Solange, pois são heterogêneos, do outro. Naquele momento, estava tudo favorável ao prefeito, só a oposição não tinha conseguido enxergar isso, ora pela incapacidade, ora pelo excesso de vaidade.

No seu terceiro mandato 2009/2012, seguido pela continuidade na reeleição, Mandiocão, pela primeira vez na vida, poderia colocar qualquer pessoa como vice, que não lhe faria qualquer diferença. E foi assim que o Matheus Neto apareceu como a solução do grupo político para o mandato, sendo o único vice do José Luiz Alves Antunes que conseguiu trabalhar com certa liberdade e autonomia, o que não compensou sua ausência de expressão para cativar o eleitorado riobonitense nas eleições de 2012. Para falar a verdade, após a crise e a asfixia financeira do Hospital Regional Darcy Vargas naquela época, seria difícil para o Matheus Neto manter sua competitividade contra a Solange Pereira de Almeida, num cenário com três candidatos. Por outro lado, o Mandiocão não demonstrou muita preocupação com o ambiente político na época, uma vez que não tinha construído um sucessor e não aparentava a menor intenção em deixar uma nova liderança para o grupo político. Em suma, a Solange foi eleita prefeita em 2012.

No quarto mandato de 2016/2020, o Mandiocão levou a eleição no tapetão, arrancou a soberania da Câmara Municipal com a liminar, que o tornou elegível e ficha limpa, controlou o ambiente eleitoral do início ao fim, em função da sua margem eleitoral pessoal, estimada em 12.000 votos, fazendo um grande favor aos riobonitenses, depois dos escândalos e a prisão do ex-deputado estadual, Marcos Abrahão, na Operação Furna da Onça. Sua vice, Rita de Cássia, que foi vereadora por três mandatos consecutivos  e secretária de educação do governo Solange Pereira de Almeida, conquistou a simpatia e o apoio dos empresários riobonitenses, se desdobrando para tentar estabilizar a pasta da educação no primeiro ano do mandato, terminando no mais do mesmo, transferindo sua energia à pasta da saúde no segundo ano, quedando-se inerte, perdendo a força política e desgastando sua imagem. Simplesmente, Mandiocão, com sua forma centralizadora de gerir a coisa pública, foi matando a vice-prefeita dentro do seu próprio campo de batalha, blindando-se da hipótese de ser substituído de um lado, e de deixar um sucessor político do outro. Atualmente, ninguém sabe onde está a vice-prefeita e quais serão seus planos para o futuro político. Todavia, o Mandiocão continua em pé, forte, poderoso e sem a necessidade de ter um vice forte ou com expressão novamente. Dessa forma, qualquer nome preencheria o vazio constitucional do cargo, enquanto não me assustaria com o retorno do Matheus Neto ao cenário ou a indicação do Eduardo Soares, que é o político nato, trabalhador, discreto e leal ao grupo, cujo nome já penetraria no universo protestante, sem resistência.

Por fim, Mandiocão tem demonstrado ser um político focalizado, centralizador, paciente e, principalmente, destruidor da carreira política dos seus vices, quando estes foram contrários ao seu posicionamento ou deixaram bem claro que desejavam o cetro, o trono e a caneta do prefeito. Sua vaidade não lhe permitirá deixar um sucessor, enquanto não existe um nome forte, capaz, competente e corajoso dentro do grupo político para enfrenta-lo ou substituí-lo, porque todos fizeram questão de ser meros astros e estrelas diante da grandeza da sua luz e da sua gravidade, comparando com a astronomia. Mandiocão é o adulto, num jardim cheio de crianças mimadas, que brigam por causa do pirulito e do uso dos brinquedos. As crianças mais inteligentes esperam por uma briga entre os amigos, para que possam furar a fila e brincar, sem, sequer, serem percebidas. E é assim que a política é praticada em Rio Bonito nos últimos 30 anos.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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